Nome Completo: Frederico Pereira de Lima Apelido: Fred Idade: 52 anos Natural de: São Paulo/SP (Sou paulistano) Hobby: Leitura Formação Acadêmica: Sou Engenheiro Civil formado pelo Mackenzie, em São Paulo
CS: Há quantos anos no esporte e onde começou: Fred: Eu comecei a montar com treze anos de idade, há 39 anos, no Clube Hípico de Santos na época, depois veio a se chamar Clube Hípico de Santos e São Vicente.
Já praticou outros esportes e por quê escolheu o hipismo? Pratiquei outros esportes, mas não competitivamente, nadei, joguei tênis, um pouco de futebol, mas o único esporte que eu competia realmente era hipismo. Eu comecei a praticar o hipismo porque ia muito para sítio, fazenda de tio montar cavalo e minha mãe tinha muita insegurança que a gente montasse e fui pra hípica para aprender a montar, simplesmente para ter um pouco mais de segurança, porém nunca mais fui pro sítio. Então, foi um esporte que agente escolheu por realmente gostar daquilo, é um esporte apaixonante.
Quem foi o seu primeiro instrutor e quais foram os mais significativos? Meu primeiro instrutor foi o Zé Ignácio, ele é pai do Benedito (Dito) que hoje dá aula no Jockey Club de São Vicente, era um excepcional "picador" da Hípica de Santos e foi o professor que iniciou vários cavaleiros na escolinha de Santos. Um outro professor que foi muito significativo pra mim foi um cavaleiro antigo de Santos que era o Rui Rondino, e com ele realmente a gente começou aprender um pouco mais de técnica, mas interesse pelo estudo da equitação. Fred e Chamego(Incomparável) em ação no Paulista de Jr. em Campinas/SP Quem foi o seu maior incentivador dentro do esporte? Eu acho que fui eu mesmo, acho que eu nunca tive um grande incentivo pra fazer, eu sempre me dediquei, corri atrás, não tinha muito incentivo não.
Teve apoio da família? Outros integrantes da família também praticam ou praticaram o hipismo? Eu tenho alguns primos que montaram, em São Paulo eu tenho alguns primos também, alguns parentes que montam, mas acho que o único que levou mesmo a coisa pro lado profissional, fui eu. Não, minha mãe apoiava no início, ela deu alguns cavalos tal e depois fui por conta própria mesmo.
Qual foi a sua primeira competição, lembra? Lembro, a primeira competição foi uma prova de escolinha, na Hípica de Santos, algo assim próximo do que hoje é equitação fundamental, só que eram provas internas e no início da escolinha, se não me engano, 50 ou 60 centímetros, alguma coisa assim. Lembro que eu ganhei a prova até contra alguns alunos que estavam bastante tempo na escola e diziam que iriam ganhar por isso e eu lembro que eu ganhei esta provinha.
O que representou o Clube Hípico de Santos e São Vicente na sua vida e por quê resolveu trocar de cidade? A Hípica de São Vicente para mim foi praticamente minha adolescência, eu cresci dentro da Hípica de Santos, comecei a montar como eu disse com treze anos de idade e fiquei lá até a época de ir pra faculdade. Era uma hípica bem gostosa, apesar de que foi uma hípica que sempre teve muitos altos e baixos, mas acho que mais baixos do que altos, mas foi muito importante no sentido de ter sido a formação e de ter apresentado o hipismo pra mim. Na verdade, não foi uma opção minha, foram situações que foram surgindo, possibilidade de trabalho em outros locais que fui me deslocando, não que eu tenha feito essa opção de sair de Santos. Aconteceu, surgiram outras oportunidades e a gente se deslocou atrás desses serviços, desses trabalhos. Fred no CHSSV saltando uma paralela com o potente El Araucan, vencedor de provas de potência Um cavalo inesquecível e por quê? Eu acho que um cavalo inesquecível da vida da gente, eu acho que deve ser, na maioria das vezes o primeiro cavalo que você teve. O primeiro cavalo que eu ganhei foi um cavalo que vinha da Hípica de Santo Amaro, evidentemente na época a gente não sabia, já era um cavalo doente, ele tinha enfisema, mas ele tinha sido um cavalo que havia pulado provas fortes, o nome dele era Relicário, mas eu só descobri isso muito tempo depois, na época que eu comprei eu pus o nome de Calibã, então, era um verdadeiro professor, era um cavalo argentino daquele tipo bem pesado, mas um cavalo que saltava 1,40 m, fazia prova de potência, porém tinha um problema de saúde e não tinha resistência. Esse, acho que é o cavalo inesquecível, que é aquele que te fez ter amor pelo esporte e pelos cavalos principalmente.
Qual a maior alegria e a maior decepção como atleta? Uma boa pergunta, eu nunca fui muito, uma coisa que eu sempre procurei passar para as pessoas que trabalhavam, montavam comigo, é que eu acho que a gente nunca deve ter grandes alegrias, nem grandes tristezas. O hipismo é um esporte que propicia muito mais derrotas do que vitórias, então não tem nada, assim, que eu possa dizer que tenha sido uma grande decepção..., é claro que todas as vitórias são maravilhosas e, muitas vezes, sem vitória mesmo você fica feliz, quando você sabe que consegue melhorar um cavalo, melhorar um aluno, são coisas que já te causam uma certa felicidade, agora grandes emoções e grandes tristezas não devem andar com o esportista, o esportista tem que se acostumar com as vitórias e as derrotas.
Você já teve algum acidente montando ou trabalhando com cavalos? Eu acho que claro, todo mundo que monta cavalo, é aquela velha história se o cara não cai é porque não monta. Eu lembro, inclusive numa ocasião eu voltava de um exterior na praia em São Vicente e o cavalo de um rapaz que estava comigo me deu um coice na canela, isso é uma coisa que me lembro bem, tive algumas quedas, quebrei uma clavícula uma vez num ponta cabeça, mas também não lembro de ter tido grandes acidentes não.Uma vez ou outra acontece um coice de algum cavalo quando você está desprevenido. Tive uma lesão de coluna pelo excesso de prática do esporte, uma lesão por esforço repetitivo, não sei se hoje esse é o termo, mas por acidente não, graças a Deus, nunca tive nenhum acidente feio não.
Quando e porque se tornou instrutor de hipismo? Assim que terminei a faculdade, a hípica de Santos estava experimentando o início de uma fase boa e um amigo meu o Cid Viana que na época estava trabalhando como instrutor, perguntou se eu não queria tocar a escolinha da hípica, ao invés de eu trabalhar com o meu diploma de engenharia, comecei a trabalhar dentro da escolinha de Santos, por esse motivo que eu comecei. Neste pódio 3 ex-alunos da categoria Júnior recebendo premiação É mais fácil trabalhar com alunos iniciantes ou inicializados? É uma boa pergunta, eu acho que com os iniciantes você tem o trabalho de fazer com que ele queira aquilo, o que já tem uma iniciação, que já pratica, muitas vezes é mais fácil porque é uma pessoa mais aberta em busca de mais conhecimento, mas têm excelentes alunos também, pessoas que você vê que tem muita vocação, que tem muito interesse, mas com certeza eu acho que é mais fácil trabalhar com quem já tem uma iniciação.
Existem técnicas de treinamento diferenciadas para homens e mulheres? Eu acredito que não, eu acho que o hipismo é um, talvez seja, um dos únicos esportes que equipare o atleta feminino ao atleta masculino, até as vezes com bastante vantagem pra as mulheres por ser menos pesadas e até pela sensibilidade, o mais importante é você está na preparação do cavalo, porque pro praticante não tem muita diferença em termos de treinamento.
É mais fácil trabalhar com homem, com mulher ou indifere? É uma boa pergunta, eu não saberia dizer, acho que não tem muita diferença, depende do caráter da pessoa, depende do comportamento,acho que é mais fácil trabalhar com os jovens do que com os mais idosos. Eu acho que é muito mais fácil você ensinar uma criança de treze anos a montar do que um adulto de trinta a quarenta anos.
Qual o custo estimado para se praticar o hipismo e como funciona a sua escola de equitação? Atualmente estou aqui em Atibaia, junto com o Fernando Costa o "bigorna", na escola de equitação da hípica Morumbí. A hípica Morumbí cobra R$220,00 mensais por uma aula semanal ou R$320,00 mensais por 2 aulas semanais. O cavaleiro tem necessidade de ter alguns equipamentos, tais como, o casquete (quepe), bota, culote e evidentemente o chicote. Eu acredito que hoje, tudo tem vários custos, tem botas mais caras, mais baratas, mas eu acredito que em torno de uns R$300,00 a R$400,00 em equipamentos seria o mínimo para estar bem equipado pra começar. O ideal seria no mínimo de 2 a 3 aulas por semana, tem gente que só pode dispor de um dia pra montar, o importante é a dedicação do cavaleiro e a vontade de aprender, evidentemente com mais aulas por semana a evolução é muito melhor. è difícil dizer como vai ser a evolução porque é muito pessoal, tem pessoas que aprendem com mais facilidade e outras demoram um pouco mais para aprender e não quer dizer que essa vai ser pior ou melhor do que aquele que aprendeu mais rápido.
Na sua opinião, qual o perfil de um cavaleiro ou de uma amazona completa? Eu acho que o hipismo serve muitas vezes pra moldar o caráter das pessoas, então evidentemente pra prática do esporte a pessoa não pode ser muito tímida, sem ação, mas o próprio esporte acaba trabalhando a pessoa neste sentido. Quantas crianças que chegam pra praticar o hipismo muito tímidas com dificuldade de relacionamento e você nota que o esporte muda essa pessoa, faz com que ela passe a ter um contato social maior, passa uma auto-confiança muito maior, eu acho que o perfil correto é o perfil de um esportista. Uma pessoa que tenha que ser valente, tenha vontade de vencer, se realmente a finalidade seja competição e não só aprender a montar, acho que o perfil é esse ser um esportista, uma pessoa que se dedique, é um esporte que depende de tempo também, não só de vontade, você precisa de tempo pra enraizar seus conhecimentos. Fred exercendo a função de cavaleiro e instrutor ao mesmo tempo Qual a maior alegria e a maior decepção como professor? Eu acho que a maior alegria é sempre uma vitória né, um campeonato que o aluno ganhe, uma regional, sempre as vitórias acabam sendo bastante recompensadoras pra gente. Decepções é como eu já disse em outra pergunta, faz parte também do esporte eu acho que estas coisas não devem ser tão marcantes e o hipismo como todo o esporte você tem aquela necessidade de estar matando um leão por dia. Não adianta eu dizer aqui, eu fui muito feliz quando minha aluna foi campeã de amazonas em 1987, 90, isso aí já ficou muito lá pra trás, então eu acho que o importante do esporte é isso, evidentemente a gente estar sempre ali pra ganhar, com sempre vontade de ganhar, mas a derrota não pode te abater a ponto de dizer que há uma grande frustração ou alguma grande tristeza, acho que as grandes alegrias são as vitórias, sem dúvida.
Você abriu mão de uma carreira de engenheiro pra se dedicar ao hipismo, valeu a pena? Na verdade eu não abri mão da carreira de engenheiro, foram 2 carreiras que eu sempre levei mais ou menos paralela, então há momentos que a gente está melhor numa ou melhor na outra, mas eu sempre procurei levar as 2 coisas juntas e como a gente já disse antes, muitas coisas não foram escolhidas, foram coisas que foram se apresentando, então eu procurei nunca deixar uma completamente de lado em função da outra. É verdade que estive mais afastado da engenharia do que do hipismo, mais eu sempre procurei levar as 2. Tudo vale a pena, da minha turma de engenharia, até uma das últimas informações que eu tive, talvez 60 a 70% dos colegas não seguiram carreira como engenheiro, seguiram carreiras muitas vezes diferentes desta. O que vale a pena é fazer aquilo que você gosta, aquilo que você se sente feliz fazendo.
Quais as principais mudanças no hipismo da época que você começou para os dias de hoje? Eu comecei a montar na década de 70, no começo da década de 70, 72...73 e eu acho que as diferenças é quase da água pro vinho, no salto a gente tinha armações de pista completamente diferentes, obstáculos eram extremamente pesados, as provas eram grandes, largas porém tinha muito oxer e poucas paralelas, as distâncias eram menos variadas, eram mais constantes, os cavalos que usávamos eram os argentinos, cavalos pesados na época, para uma equitação que digamos assim mais pesada, então toda montada era mais dura, dependia muito da coragem do cavaleiro. Hoje o hipismo está extremamente técnico, varas levíssimas, armações altamente técnicas, cavalos de uma sensibilidade ímpar. Eu acho que nesse ponto mudou muito, o hipismo hoje é uma coisa muito mais técnica, muito mais leve, mais delicada do que era na época, estou me referindo ao salto.
O Brasil hoje tem 4(quatro) cavaleiros que estão entre os 60 melhores do ranking mundial, o que se deve os resultados do Brasil em competições de alto-nível ter melhorado? Com certeza o intercâmbio com a Europa, a melhora da nossa criação, apesar que ainda não estamos com cavalos de nível olímpico, como já deveria estar pela nossa criação, mas eu acho que o intercâmbio, uma coisa em que outras épocas era muito difícil montar na Europa, hoje está muito mais fácil, muito mais comum ir montar na Europa, na Bélgica até por influência destes cavaleiros brasileiros que já estão lá, fundamentalmente é isso e a qualidade de nossos cavaleiros, são extremamente competitivos.
Você é reconhecido como um grande preparador e formador de cavalos, o que acha do BH e da criação nacional em si? Agradeço pelo grande preparador de cavalos. Eu acho o seguinte, hoje no Brasil a gente tem uma criação que praticamente no mesmo nível da Europa, usando o mesmo sêmen dos grandes cavalos europeus, temos éguas matrizes muito boas e evidentemente como em toda a atividade a bons criadores e não tão bons criadores. A oferta do cavalo é muito grande e qualidade é muito superior ao que a gente tinha em outras épocas, isso não dá pra discutir. Quando eu comecei a praticar hipismo a gente ia ao Rio Grande do Sul e Argentina comprar cavalos, muito puro sangue de corrida, hoje a gente nota que tem uma criação espetacular, com sangue de garanhões importantíssimos, eu acho que a criação do BH só tende a melhorar porque nós temos clima bom, nós temos espaços como poucos lugares no mundo tem espaços pra criação e temos gente de muita qualidade investindo nisso, a criação brasileira irá se tornar uma das melhores do mundo. Evidentemente que a gente tenha alguns séculos atrás da Europa que já cria cavalos pra esporte a séculos.
Cite alguns cavalos que você iniciou e que deram bons frutos no esporte? Vou falar de um cavalo que até alguns dias atrás eu soube que este cavalo está aqui próximo da onde a gente mora, aqui em Bragança a venda, foi o Neartic. Foi um cavalo que eu comprei de um amigo do Cristian Tim do Haras Chantebled, do Haras da Fazenda Chantebled e foi um cavalo que desde a gente iniciou a gente percebeu que seria um cavalo muito ganhador, este cavalo eu tinha um sócio que montava, ganhou todas as categorias iniciais com ele, o cavalo depois a cada pessoa que ia comprando este cavalo conseguia resultados maravilhosos e elevava muito estes cavaleiros que montavam e até chegar ao Cícero, o "Jacaré", que conseguiu até 2 ou 3 anos atrás com o cavalo já com bastante idade, conseguiu até se classificar pro sul-americano de juniores. Então eu sei que este cavalo está novamente a venda depois de ter ido pra Manaus, estaria aqui a venda.
O que poderia ser feito em prol do esporte? Eu acho que o hipismo é um esporte que a gente possa classificar como popular, não acredito que seria o caminho qualquer tipo de popularização do esporte até pelos seus custos. As próprias pessoas que trabalham com este esporte, que o ajuda a desenvolver estão fazendo muito pelo hipismo no Brasil, acho que hoje a divulgação por televisão a cabo é muito boa, acho que o hipismo é um esporte que vai crescer por si só, não depende tanto vamos dizer assim de ajuda governamentais ou até de tentativas de popularização que acho muito difícil de darem certo. É um esporte que tem um desenvolvimento absurdo, o crescimento nos últimos 30 anos é uma coisa fantástica, se dizia que era uma coisa limitada a elite, existiam 6 a 7 hípicas no estado de SP, só em grandes cidades que levavam o nome de suas cidades. Hoje a gente vê a quantidade de hípicas que existem, a quantidade de manège, a quantidade de haras criando, acho que é um esporte que "engatinha" no Brasil e ainda tem um potencial muito grande e vai crescer e muito independente de apoios governamentais e coisas do gênero.
Já teve a oportunidade de morar em outros países e o que acha da ida de nossos ginetes morarem em países europeus? Eu tive a oportunidade de morar na Itália por um tempo, uns 2 anos trabalhando com equitação, um pouco em Portugal. Eu acho que é fundamental o cavaleiro principalmente hoje em dia conhecer o hipismo europeu que é outro nível, outro padrão. Quando você conhece o hipismo europeu você vai ver que aqui estamos "engatinhando", acho fundamental repito.
Qual foi ou foram seus principais ídolos no esporte? Dos cavaleiros brasileiros da época em que eu comecei a montar, evidentemente o "Pelé" do hipismo era o "Neco", Nélson Pessoa acho que até hoje se precisar montar...é um gigante, um monstro. Dos cavaleiros que montavam aqui no Brasil, todos nós tínhamos uma grande admiração pelo Cel. Renyldo não só como cavaleiro mas também como instrutor, era o sonho de consumo de todo o cavaleiro era poder montar com o Coronel e outros 2 cavaleiros que marcaram muito, não querendo faltar com muitos outros, mas o "Alfinete" era uma coisa impecável, o José Roberto Reynoso Fernandes era uma elegância, uma qualidade de equitação maravilhosa. Outro cavaleiro que gostaria de citar também é o Gérson Monteiro, parecia uma pedaço do cavalo que não era um cavaleiro em cima do cavalo e muitos outros cavaleiros. O Caio Sérgio, era um cavaleiro que pela sua garra, um cavaleiro que ganhava todas as competições em todas as categorias que participou, espero não estar sendo injusto com outros cavaleiros mais acho que estes eram que mais na época poderia colocar como ícones.
Qual escola de equitação você mais aprecia? Eu acho que a escola francesa hoje já está difundida no mundo todo e até a escola alemã vamos dizer assim, já se refinou atrás de uma equitação mais parecida com a da escola francesa. Acho que a escola francesa é talvez a que propicie mais beleza, assim como a criação de cavalos, a equitação hoje..., o termo certo seria globalizada. As escolas hoje apesar de você não notar grandes diferenças entre as escolas, você nota que os cavaleiros "Top" acabam praticando uma equitação bastante parecida.
Quando resolveu parar de competir e por quê? Competir mesmo é uma coisa muito cara, acho que a partir do momento que eu resolvi treinar cavaleiros ainda na hípica de Santos, eu entendi que era uma opção a ser feita ou você vai ter uma outra profissão, ter uma outra fonte de renda pra você poder competir ou você vai ser instrutor ou dono de hípica. Eu acredito pra você competir principalmente hoje, o nível é muito forte, hoje os investimentos são muito fortes, precisaria de um investimento muito grande pra poder estar competindo de igual pra igual porque o nível do hipismo realmente está muito alto no Brasil.
Deixe uma mensagem para quem está começando no esporte agora? A mensagem bacana seria dizer que este esporte é talvez um dos esportes mais completos por ser um esporte ambidestro, você vai desenvolver seus 2 lados da mesma maneira, você não está sozinho têm que deslocar uma massa de mais de 1/2 tonelada muitas vezes e fazer com que isto seja feito com leveza, com beleza, com alegria. Outra coisa que eu acho muito importante a gente entender, o cavalo não é uma máquina, não é uma moto, não é um carro, entender que é um animal com sentimentos, com dores, com dificuldades, procurar se sentir um pouco cavalo pra entender e ser grato, não achar que ele é simplesmente uma máquina enquanto funciona está bom, o dia em que não der certo acabou, acho que este respeito pelo animal deveria ser uma das principais preocupações dos novos cavaleiros.
Agradecimentos: Fotos cedidas por Frederico Lima e arquivo.