Nome Completo: Humberto Calabrez Filho
Apelido: Tinho
Idade: 68 anos
Natural de: Rio de Janeiro/RJ
Hobby: Esgrima
Formação Acadêmica: Faculdade de Educação
Física e Mestrado no curso de Mestre D'Armas na Escola de Educação
Física do Exército.
Leia a entrevista a seguir ou assista o video disponível no final desta página.
CS: Há quantos anos no esporte e onde começou?
Tinho: Comecei no Esporte Clube Pinheiros com 14 anos e estou até hoje
na esgrima.
Já praticou outros esportes? Por que escolheu a esgrima?
Um pouquinho de vôlei, futebol e natação, mais na brincadeira
do que outra coisa. Eu me dei bem com a esgrima, eu me senti bem fazendo esgrima,
depois vieram os resultados e o gosto também pelo esporte e então
você vai se mantendo dentro do esporte.
Quem foi o seu primeiro instrutor?
Meu primeiro técnico, aliás, o único foi Ângelo Pio
Buonafina, mestre italiano que veio pro Brasil justamente para reativar a esgrima
no Pinheiros, foi ele que me formou como esgrimista.
Quem foi o seu maior incentivador dentro do esporte?
Meu pai, Humberto Calabrez.
Teve apoio da família? Outros integrantes da família
também praticam ou praticaram?
Sim, sempre. Meu pai que começou junto comigo, minha irmã que
depois parou, depois os sobrinhos, minha filha mais velha e agora os netos
também.
Qual foi sua primeira competição, lembra? E quando vieram
os primeiros títulos?
Lembro que foi um torneio de estreantes e eu era o mais novo e eu cheguei ao
segundo lugar nesta prova, no Esporte Clube Banespa. No segundo ano de esgrima
eu já fui campeão paulista de florete, depois disso já
vieram mais alguns.

Torneio no Fluminense(RJ) - Tinho Calabrez(SP) x Pascoal(RJ)
Quantas vezes por semana dá aulas? Qual o perfil dos alunos?
Atualmente estou dando aula 4x por semana em Santos/SP. Eu tenho alunos de 9
anos até alunos de 40 e 50, varia muito, moças também.
Destaque aluno(s) de alto rendimento dentro do esporte?
Passaram por mim na iniciação vários, Márcia da
Silva campeã sul-americana, o Roberto Lazzarini que ainda está
atuando, começou comigo lá no Pinheiros, o Marco Antônio
Trevisan representante do Brasil nas Olimpíadas de Sidney em 2000, que
também treinou comigo.
Explique um pouco o que vem a ser o Curso de Mestre D’Armas.
No curso de Mestre D'Armas a gente passa a ter conhecimento de como ensinar
a esgrima, como você deve colocar o esgrimista na posição,
como ele deve atuar, enfim você vai ensinando aos poucos, existe uma sequência
do que deve ser ensinado, além disso, estuda um pouco de psicologia esportiva,
fisiologia de movimento.
Qual a maior alegria e a maior decepção como atleta?
Bom eu só tive alegria (risos), ganhando ou não eu sempre me senti
muito bem dentro da esgrima, decepção não.
Flávio Gasparini/ Alfredo Pompílio/ Sérgio Gasparini/ Calabrez/ Tinho

Alguma competição que se lesionou e não pode ir?
Não, não, nunca tive nenhuma lesão, felizmente neste aspecto
os acidentes foram poucos, tive um susto com um aluno, por culpa minha eu avancei
sobre ele e acertou o rosto, mais bem leve nada de grave.
Qual a maior alegria e a maior decepção como professor?
Alegria é ver meus alunos jogando, bem ou mal a gente brinca, chama a
atenção quando joga mal e é por aí, esta é
a minha alegria.
Como foi participar dos Jogos Pan Americanos no Brasil?
É uma experiência muito gratificante, se reúne sei lá,
4 a 5 mil atletas e só a satisfação de estar dentro desta
multidão já é uma glória, despois também
na competição apanhei bastante no sentido de jogar e perder, vieram
atletas muito bons e na época os melhores eram os canadenses e os americanos
que ficaram com os melhores resultados na esgrima.
O que mudou na esgrima de quando começou a praticar, até
os dias de hoje?
Antes a esgrima não tinha o registro do toque eletrônico, então
a esgrima, era um pouquinho mais plástica, coreografada, os movimentos
eram mais lentos e a partir do momento que foi introduzido o registro do toque
eletrônico ela começou a ser mais atlética, mais rápida
e com isso também tirou a plasticidade da esgrima.
Desfile da Delegação brasileira no Sul-Americano(1966) no Peru, chefiada por Calabrez(Pai)

Na sua opinião, o que seria necessário para “massificar”
o esporte?
Vou te dar como exemplo o vôlei, o basquete, natação, o
próprio futebol, enquanto não formos campeões, nós
não teremos apoio da imprensa, nós dependemos da imprensa, não
só nós como os outros esportes, e como eles foram campeões
e deram campeões mundiais e olímpicos, o apoio é todo lá,
é quando eles deveriam ao mesmo tempo dar apoio aos esportes desconhecidos,
incluindo a esgrima, para que produzir também atletas de ponta e que
tenha resultado em mundiais.
Como é a atuação das Federações
Estaduais e da Confederação Brasileira, em sua opinião?
O que poderia ser feito em pró do esporte?
A atuação da Federação Paulista dentro da sua capacidade
para melhorar o esporte e pra difundir ela o fez, mas não houve retorno
e com isso ela ficou estacionada, os abnegados, os que gostam de esgrima continuam.
Com relação a Confederação, com a mudança
de diretoria me parece que eles estão querendo incentivar o esporte,
abrir mais salas de esgrima para que a coisa possa crescer e tem um pouquinho
mais de apoio do governo, está melhorando neste aspecto.
Já teve oportunidade de treinar em outros países enquanto
atleta? O que acha dos “intercâmbios” com os países
europeus?
Não, naquela época não havia esta facilidade,
naquela época se alguém fizesse algo deste tipo seria considerado
profissional e não poderia mais competir, hoje em dia este profissionalismo
está meio disfarçado. Com relação aos intercâmbios
seria ótimo se tivéssemos condições, para isso seria
necessário apoio financeiro com viagens e salários para que os
atletas pusessem se manter.
Em que momento percebeu que tinha talento no esporte?
Eu não percebi que tinha talento eu fui praticando o esporte e aquilo
foi me envolvendo eu já tenho naturalmente uma certa tendência
para o esporte, o grande trabalho é encaixar a criança no esporte
que ele se sinta bem, não só gostar do esporte mais fisicamente
ele se encaixe nas necessidades do esporte.
Quais foram os principais títulos conquistados?
Brasileiros, paulistas alguns, é difícil lembrar-se de todos (veja
a relação de títulos no final desta matéria).
Em pé(Bianco/ ?/ Dezuilton/ Carrara/ Martins/ ?/ Fama/ Monteiro/ Ortiz/ ?)

Clube Tietê - Agachados(Tinho/ ?/ Hegedus/ ?) - faltam alguns nomes
Quais foram seus principais ídolos no esporte? Qual a arma preferida?
Vamos falar em Ferdinando Alessandri, um grande jogador de esgrima, um grande
sabrista, também o Vagnotti(Ricardo), enfim tem vários que atuaram
aqui no Brasil, extremamente técnicos e de valor esportivo muito grande.
A minha arma preferida é florete.
Quando resolveu parar de competir e por quê?
Eu não resolvi parar, eu sempre estive a vontade na esgrima e todas as
vezes que eu pude competir eu o fiz, a minha última competição
foi em 2.005, já na categoria master.
Pretende retornar as pistas nas competições de Masters?
Quem sabe, vamos ver se o esqueleto aguenta(risos), faltaria treino diário
porque quando eu estou dando aula eu não treino, eu preciso treinar.
Deixe uma mensagem para quem está começando no esporte
agora.
Pratique que vocês irão se sentir bem e ficarão felizes,
PRATIQUE ESGRIMA!
Equipe de Florete Masculino do SAC/Unimes, alunos do prof. Tinho Calabrez
Brasileiro - Campeão (florete individual) - 1962 e 1971; Vice-campeão (florete individual) - 1960 e 1963; Campeão (florete / equipe) - 1959, 1960, 1965, 1968 e 1969; Vice-campeão (florete / equipe) - 1961, 1963 e 1966; Campeão (sabre / equipe) - 1959.
Troféu Brasil - Campeão individual e vice-campeão por equipe - 1970(florete).
Paulista - Campeão (florete individual) - 1961, 1962 e 1969; Vice-campeão (florete individual) - 1960; Campeão (espada individual) - 1967; Vice-campeão (sabre individual) - 1961; Campeão (florete / equipe) - 1962, 1963, 1964 e 1969; Vice-campeão (florete / equipe) - 1968 e 1970; Campeão (sabre / equipe) - 1963 e 1967.
D+ torneios vencidos: Torneio Animação - (1957); Torneio de Noviços - (1957); Eliminatória Camp. Brasileiro - (1958); Taça Amizade - (1958); Torneio Início - (1963/ 1966/ 1967/ 1969/ 1970); Taça Wagi Abdalla - (1967/ 1970); Taça Vallim - (1968); Circuito Paulista Master - (2005).
Assista trechos da entrevista